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quarta, 27 de outubro de 2021

quinta, 26 de agosto de 2010

Morte na Estrada

Morte na Estrada
O extermínio silencioso de nossa fauna nas estradas brasileiras


Venho novamente abordar um tema ligado a impactos ambientais. A matéria a seguir, de minha autoria, foi publicada em vários idiomas nos sites da revista National Geographic, edição de Agosto de 2005.

Como estamos na estação das secas, quando o problema se agrava, considero importante refletirmos sobre a questão, especialmente em sua próxima viagem por nossas estradas, lembrando que os animais podem não ser as únicas vítimas de um acidente como este.


A matéria a seguir foi originalmente publicada no site da
National Geographic Brasil em agosto de 2005
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VOCÊ SABIA ?

Sou biólogo e fotógrafo da natureza, nasci no Brasil e sempre fiz com que os animais fizessem parte da minha vida. No começo, queria fotografar as belezas da natureza para contar histórias bonitas a respeito delas – daquele tipo que todo mundo gosta de ver, ler e ouvir. Mas anos de viagens pelas estradas do Pantanal fizeram com que eu começasse a pensar em outra maneira de promover a preservação ambiental além de simplesmente fazer belas fotos. Via lindo mamíferos, aves e répteis mais de perto do que nunca. Mas estavam mortos. Foi assim que comecei a fotografar animais atropelados, na esperança de sensibilizar os motoristas e as autoridades para a chacina silenciosa que acontece nessas estradas todos os dias.

Durante a estação das chuvas, muitos animais utilizam as estradas para se locomover, já que as áreas adjacentes estão alagadas. Mas, nos períodos mais secos, a situação fica ainda pior: as valas do acostamento são as últimas partes a secar, assim fornecendo fonte de água e abrigo das queimadas de campos e pastos. Esta é também a época de reprodução da maior parte das espécies e a alta estação para o turismo. Por conseqüência, o tráfego de veículos cresce exatamente na mesma época que os animais estão em busca de parceiros e, depois, dão à luz. Mães com filhotes recém-nascidos são especialmente vulneráveis. Um amigo meu encontrou uma fêmea de tamanduá-bandeira gigante cujo filhote ainda estava vivo, pendurado às suas costas; outro viu uma uma fêmea de cervo-do-Pantanal que tinha acabado de dar à luz a um veadinho – morto bem atrás dela.

É difícil ficar indiferente ao fazer essas fotos de atropelamentos. Uma vez, encontrei um tamanduá ferido que tinha sido atingido por um carro. Contatei a Polícia Ambiental, que o resgatou, mas ele acabou morrendo. Com esta atividade, concluí que a morte de animais selvagens nas estradas deve ter papel de destaque na diminuição da população de algumas espécies. Vejo isto como uma das conseqüências do “progresso”. Na BR-262, uma das principais estradas do sul do Pantanal, entre Campo Grande e Corumbá, as taxas de mortalidade animal cresceram desde que foi construído o duto de gás Bolívia-Brasil e que uma ponte foi inaugurada sobre o rio Paraguai no final de 2000.

Quando você for viajar por estradas próximas a áreas de preservação ambiental em qualquer lugar do mundo, tenha em mente os animais: para a sua segurança e também a deles. Respeite o limite máximo de velocidade e evite viajar ao crepúsculo ou à noite, quando os animais estão mais ativos e vulneráveis, já que os faróis do carro podem confundi-los e fazer com que fiquem paralisados no meio do caminho. Tem sido muito triste documentar os atropelamentos no Pantanal, mas espero que sirva para despertar a consciência a respeito deste massacre que pode ser evitado.

COLUNISTA

Daniel De Granville

daniel@portalbonito.com.br

Daniel De Granville, Biólogo formado pela USP e pós-graduando em Jornalismo Científico pela Unicamp, reside em Mato Grosso do Sul desde 1994, onde tem se dedicado ao ecoturismo e à fotografia de natureza. Seu site pessoal é www.fotograma.com.br, e o dia-a-dia do seu trabalho pode ser conferido em www.fotogramablog.blogspot.com.

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