BONITO / MS

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quarta, 27 de outubro de 2021

quinta, 26 de agosto de 2010

Manifesto em relação à ceva

Segundo a nossa língua portuguesa, cevar significa engordar, nutrir, como também atrair com presentes, conquistar a simpatia e confiança.
Mas será que não estamos prejudicando os animais com gentilezas?
Imagine que há anos os peixes do Balneário Municipal são alimentados com milho, salgadinhos e até mesmo chicletes.

Acontece que esta prática tornou-se praxe nos atrativos turísticos de Bonito, diferenciando o tipo e a forma  de alimentação dos animais, mas que não fazem parte da dieta normal e comportamento de qualquer animal silvestre ou peixes dos rios da região.

O objetivo  é facilitar a observação por parte dos visitantes, deixando a fauna mais habituada à presença humana, já que o simples fato de termos um certo número de pessoas percorrendo as áreas de matas ciliares remanescentes pode afugentar os animais locais.

Apesar de não haver estudos específicos, este procedimento pode trazer diversas conseqüências negativas , como superpopulação, prejuízo na dispersão de sementes, deficiências nutricionais, alterações nos padrões de deslocamento e comportamento dos grupos dos animais, obesidade, fácil captura para caçadores e pescadores, aparecimento de animais indesejáveis (como por exemplo ratos que vêm à procura de milho e atraem serpentes peçonhentas para as áreas de visitação), transmissão de doenças através dos alimentos exóticos e industrializados e por meio de cochos mal higienizados.

A mata ciliar conservada possui uma produção de frutos contínua durante o ano, variando apenas a intensidade dos indivíduos com frutos maduros.  Com isso a disponibilidade de frutos para peixes, aves e mamíferos ocorre o ano todo, basta respeitarmos a faixa de 50 metros de área de preservação permanente.

Assim , enquanto não se propõe regras que deverão ser adotadas por todos, uma iniciativa em relação à situação do Balneário Municipal poderá ser o início de um programa de educação relacionado ao assunto.

Existem várias alternativas, como por exemplo oferecer uma quantidade controlada de ração balanceada específica para peixes com acompanhamento de especialista, oferta de sementes e flores nativas, podendo esta alimentação ser reduzida gradativamente, deixando a atração artificial de lado.  Pode-se até mesmo criar uma isca artificial para fotos, costume local para o peixe saltar fora da água,  mas sem que o peixe alimente-se dela, como faz com o salgadinho amarelo.

Algumas atitudes devem ser tomadas, como anexar placas informativas e educativas, fixar orientações nas lanchonetes, sensibilizar os comerciantes e Guarda Municipal, não permissão da venda do milho e substituí-la  por ração, sementes nativas ou frutos exóticos sem sementes, estabelecer quantidade limitada para cada período do dia, não permitir o oferecimento de salgadinhos ou qualquer outro alimento e principalmente enriquecer a vegetação ciliar entre nossos decks e passarelas construídas e formar corredores de habitat, para assim proporcionar ao visitante o prazer do contato com a natureza de forma menos artificial e deixando os animais deslocarem-se livremente sem tornarem-se dependentes da ceva.

Afinal, somente o equilíbrio do ambiente natural é que garantirá a conservação da biodiversidade e  sustentará a atividade turística da região.

COLUNISTA

Paula Battassini

paula@portalbonito.com.br

Paula Sant'Anna Battassini, Bióloga e guia de atrativos turísticos naturais, trabalha na Associação Amigos do Brazil Bonito como diretora de projetos.

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