BONITO / MS

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quarta, 27 de outubro de 2021

quinta, 26 de agosto de 2010

O quintal do vizinho

Meter o pau nos Estados Unidos virou moda, todo mundo quer tirar sua casquinha, porque americanos são prepotentes, se acham os donos do mundo, são assassinos, etc e tal...

Quando isso acontece logo me vem a cabeça aquela celebre frase que todos conhecem: Perdoa-os, eles não sabem o que fazem.

Toda unanimidade é burra, como dizia Nelson Gonçalves, e essa não foge a regra. Não se pode condenar um povo, uma cultura, um país, pela política externa de um governo. O governo americano tem obrigação de defender seus interesses, e como a maior potencia mundial, ele, como todos os grandes impérios do passado, passa por cima de interesses de países menores, é de certo modo predador, e exerce às vezes de maneira arbitraria um poder excessivo de polícia.
Tudo bem, passa dos limites, mas daí pra dizermos que o povo americano não presta, que não há nada de interessante naquele país além de fast food, é muita ignorância.

Primeiro, eles não são a grande potencia mundial à toa. Esse império que construíram foi baseado em muito trabalho, liberdade, competência e profissionalismo.

Os americanos são os mais profissionais, quando encaram um desafio o fazem bem feito. Eu sou fascinado por isso, amo viajar para lá e admiro sua postura, honestidade e seriedade diante do trabalho.
Ao invés de criticar, as pessoas que o fazem deveriam aprender um pouco da garra e competência dos americanos.

Fora as cidades grandes (metrópoles cheias de imigrantes), o americano médio é extremamente educado. Em qualquer loja, lanchonete, bar, qualquer tipo de serviço ou negócio você é tratado com respeito, com profissionalismo. Tente comprar algo e você vai ter uma aula de atendimento e cortesia. Eles sabem deixar as pessoas à vontade.

Você pode pensar que isso é apenas sede por dinheiro que os deixa assim, como se aqui no Brasil não tivéssemos a mesma sede...

Estive no Nordeste há alguns dias, e comprovei minha tese mais uma vez. Amo o Nordeste, o povo, a cultura, suas belezas, mas infelizmente, as pessoas não são profissionais, o atendimento é péssimo e é triste a desigualdade social.

Nesse ponto me lembrei daqueles que criticam tanto os americanos de explorarem outros povos, por que estas mesmas pessoas não vão atrás de defender os injustiçados em nosso próprio país? Aqui a injustiça é muito mais cruel.

Mas, como dizia, para ver incompetência, não precisa ir longe, há muita aqui nesta cidade, no interior do estado, no atendimento aos mesmos gringos tão criticados que vem de fora gastar seus dólares aqui. Há incompetência e falta de profissionalismo dos governos, nacional e regional, que não conseguem resolver problemas básicos com a preservação de estradas, ou segurança, educação, saúde ou outras tantas obrigações pelas quais são pagos, e bem pagos para o fazerem.

Analise o estado do turismo no Brasil, essa é uma atividade apenas incipiente por aqui, enquanto nos Estados Unidos alcança números que só teremos daqui a décadas (e olha lá).  Eles são o país mais competente no assunto em todo mundo, só Las Vegas abriga 9 entre os 10 maiores hotéis do mundo, sem falar em Disneyworld, Hollywood, Grande Canyon e tantos outros produtos tão maravilhosamente bem vendidos. Produtos muitas vezes inferiores ao que temos aqui, mas que rendem infinitamente mais visitantes e capital do que os nossos, só pra citar por cima os Everglates na Florida frente ao nosso Pantanal e as Cataratas do Niagara frente a Foz do Iguaçu.

Pois é, temos muito que aprender.
Portanto, antes de abrir a boca, se você o faz, para falar mal do quintal do vizinho, olhe antes para o seu, provavelmente ele deve estar muito pior.

COLUNISTA

Arlindo Namour Filho

namourfilho@portalbonito.com.br

Arlindo Namour Filho, 28 anos, residente em Campo Grande - MS. Formação superior em Direito e Turismo, fotógrafo profissional e repórter e articulista de turismo desde 1999, escreveu nos jornais O Palanque e A Crítica, e escreve atualmente na revista O Palanque VIP e no portal Campo Grande News.

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