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quarta, 27 de outubro de 2021

quinta, 26 de agosto de 2010

Aves do Corredor Miranda/Serra Bodoquena

Aves do Corredor de Biodiversidade Miranda – Serra da Bodoquena, um patrimônio a ser preservado

A região do Corredor de Biodiversidade Miranda – Serra da Bodoquena é uma das Áreas mais importantes para a preservação das formas de vida das paisagens do Cerrado e do Pantanal. Essa é uma afirmação que comumente pode ser encontrada em livros, jornais, revistas e até mesmo na internet. Afinal de contas, nem seria preciso consultar um biólogo para perceber que se trata das regiões brasileiras menos exploradas pelo homem e que, por isso mesmo, abriga uma impressionante quantidade de organismos animais e vegetais.

Ao tempo em que isso parece banal e óbvio, qualquer um fica surpreso pela tamanha escassez de informações: quantas espécies de aves existem por lá? E de plantas? E cobras, lagartos, anfíbios, mamíferos e de outros animais? Ninguém sabe...


Foto: Ricardo Kuehn (www.photografos.com.br)

Completamente surpresos, começamos a refletir com mais objetividade sobre esse assunto, pois, embora saibamos que a região é muito rica, não sabemos dizer o quanto ela é rica! Isso acabou acontecendo porque nunca alguém se preocupou em organizar as informações guardadas em livros, em museus e no próprio ambiente natural. Bem da verdade, poucos se aventuraram a estudar com a profundidade necessária, aqueles animais e plantas que estavam ali "dando sopa" nas matas, cerrados e outras paisagens dessa maravilhosa região.

Para suprir um pouco essa falta de conhecimento, a Fundação Neotropica do Brasil, apóia a realização de pesquisa na região. Entre elas, as aves do Corredor de Biodiversidade Miranda – Serra da Bodoquena. A idéia é saber quantas são as espécies que ali ocorrem e também quais os principais padrões de distribuição, ou seja, quais as regiões mais ricas em espécies e qual o grau de fragilidade dessas aves frente a alterações causadas pelo homem. Paralelamente buscam-se vários tipos de informações como, por exemplo, a presença de aves migratórias, ameaçadas de extinção e também aquelas que apenas vivem nessa região, chamadas de endêmicas pelos estudiosos.

Durante duas preciosas semanas do mês de outubro deste ano, uma equipe de pesquisadores da Neotrópica realizou várias viagens para estudar as aves. Foram visitados os municípios de Bodoquena, Bonito, Miranda e Porto Murtinho, em áreas definidas como prioritárias para conservação. O resultado apresentou algumas novidades espetaculares, mas além disso, ficamos impressionados pelo número de espécies encontradas: 271, portanto, quase um terço do total de formas de aves conhecidas para todo o estado do Mato Grosso do Sul; e - pasmem: 15% de toda a avifauna registrada no Brasil!

Um dos grandes destaques da viagem foi o encontro com um belíssimo casal de harpias, a mais poderosa ave de rapina do mundo, que se encontra cada vez mais rara. Como se não bastasse, o casal foi visto sendo atacado por várias araras-vermelhas, em um espetáculo magnífico!
 Graças aos resultados desse trabalho, que em breve será divulgado por variados meios de comunicação, desde revistas científicas até pela internet, será possível estimar a extensão e valor desse imenso patrimônio natural. E, com isso, será possível definir planos para a sua preservação, de forma que todas as pessoas possam compartilhar desse bem maravilhoso que são as aves, animais que tanto enchem de alegria e orgulho o nosso País, por seu colorido e canto!

Sim! Esse "inventário" das aves é como o inventário do patrimônio de um milionário. E são coisas comparáveis também para o futuro: o quê e quanto deixaremos de herança para as gerações futuras? Vale a pena preservar essa bicharada toda ou não vale?

Escrito por Fernando C.Straube em 12 de dezembro de 2005,
adaptado por Angela Pellin. 

COLUNISTA

Angela Pellin

angela@portalbonito.com.br

Angela Pellin, Bióloga e Especialista em Biologia da Conservação. Já trabalhou na Secretaria de Estado de Meio Ambiente em Bonito e na Fundação Neotrópica do Brasil, com sede em Bonito. Atualmente é doutoranda do Programa de Ciências da Engenharia Ambiental da USP, onde desenvolve um projeto com as Reservas Particulares do Patrimônio Natural do Estado do Mato Grosso do Sul.

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