Bonito, Sábado, 31 de Julho de 2010
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A natureza fez BONITO

ARTIGO - da Revista da APM - edição 552 / nov.2004

A belíssima região da Serra da Bodoquena, no Mato Grosso do Sul, abriga um dos recantos ecoturísticos mais importantes e bem-preservados do nosso país, a pequena e surpreendente Bonito

Águas de Bonito
Sem dúvida alguma, uma das coisas que mais chamam a atenção em Bonito é a água, seja pela sua cor e transparência, ou por suas propriedades naturais.

Ela existe em abundância tanto sobre a terra como no subsolo, favorecendo a manutenção de uma biodiversidade surpreendente, além de ser um convite aos banhos e outras tantas atividades aquáticas, que nunca faltam na cidade.

Em praticamente todos os passeios ela está presente, à espera do visitante. Não é necessário nenhum esforço para enxergar com nitidez satisfatória o fundo do rio, a visibilidade é total. Basta apenas correr o olho, a alguns centímetros de distância fora da água, ou então colocando-se nela o rosto, ou mesmo deixando flutuar. Descendo-se a correnteza dos rios Sucuri e da Prata, por exemplo, é possível avistar com riqueza de detalhes espécies aquáticas policromáticas, como dourados, piraputangas, pintados e pacus, além das mais diversas formações e vegetação submersos.

O biólogo Helcias Bernardo de Pádua, (ex) da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb),  explica os fenômenos da cor e transparência. "A cor da água em Bonito é apenas aparente, como resultado da reflexão e dispersão da luz sob influência do material em suspensão, grosso modo. Ela pode variar de cor dependendo da intensidade e inclinação da luz solar ao longo do dia. Em alguns lugares, como na Gruta do Lago Azul, por exemplo, o efeito impressiona qualquer observador, mas não passa de efeito visual".

A transparência da água pode ser compreendida, segundo Pádua, por sua característica geobioquímica. "Na Serra de Bodoquena, por terem suas nascentes originadas de solo calcítico ou dolomítico (e por escorrerem ou drenarem de), as águas possuem capacidade bem maior de manter os bicarbonatos de cálcio e de magnésio sempre presentes, o que facilita os processos de aglutinação de partículas, com  precipitação, rápida decantação e sedimentação. Elas se apresentam muito transparentes, favoráveis a maior penetração de luz. A consequência é uma transparência ímpar".Uma curiosidade é que as águas em Bonito não são classificadas como doce, ainda segundo o biólogo, "porque têm, na sua maioria, altíssimo teor de sais de cálcio e magnésio - entre 100 e 300mgCaCO3/l -, portanto, consideradas como água duras (salobres). O ph da água é sempre alcalino devido à ausência de material orgânico e à presença constante dos bicarbonatos. Para entender, basta sentir o paladar pouco agradável dessas águas quando ingeridas. "É o preço ou a troca que se tem com a natureza por se dispor de águas tão transparentes", conclui Pádua.

A cristalinidade obviamente favorece sobremaneira a prática do mergulho, um esporte muito praticado em Bonito, que pode ser muito interessante se forem rigorosamente observadas as normas de segurança. O mergulhador descobrirá que muitas das belezas da região estão escondidas no subsolo, espalhadas nas inúmeras grutas inundadas.

Diferente do Éden, que ninguém conheceu pessoalmente a não ser os personagens da narrativa mosaica no Gênesis, turistas brasileiros e estrangeiros já descobriram no Mato Grosso do Sul o endereço do que bem poderia ter sido o substituto do paraíso bíblico.

Para a enfermeira e jornalista Genilda Murta, que conheceu Bonito em julho deste ano, "é impossível não encontrar paz num lugar como esse".

Quando o dia amanhece em Bonito, a algazarra dos pássaros voando rente à água dos rios, no mesmo instante em que o sol começa a surgir no horizonte por entre flores e plantas multicoloridas, parece que a luz brota do fundo dos rios e lagoas, mistura-se pelas copas das árvores do cerrado e se espalha pela imensidão do céu azul, tornando a paisagem ainda mais admirável. Se o quadro pintado já é belo ao nascer do sol, imagine o leitor a mesma tela durante o ocaso, quando a movimentação da fauna é maior e as cores são mais intensas.

Pra crer, há que ver de perto! O passeio enriquece a experiência.

 

Professor Helcias Bernardo de Pádua,
Biólogo-C.F.Bio 00683-01/D; Conferencista em "Qualidade das águas"; Especialista em Biotecnologia-C.R.Bio 01; Analista Clínico - Hosp.Clínicas SP; Professor de Biologia e Ciências-L-94.718-DR 5 - MEC, desde 1975; Consultor, professor e colunista; Memorista-AGMIB/Assoc. Grupo de Mem. do Itaim Bibi/SP; Graduando em Jornalismo/FaPCom
helcias@portalbonito.com.br

 

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